Pele
Seria
possível congelar aquele momento e guardar em algum lugar concreto a visão
daquele corpo de Adonis? A memória não era confiável e ela queria se lembrar
daquela cena pela vida toda. Queria poder rever os detalhes, os músculos do
braço, o abdome definido, queria fazer uma estátua instantânea daquele torso.
Por um momento ele lhe pareceu uma escultura de Rodin, mas como vestia
cueca, e era moderna demais, ela imaginou que estava diante de um anúncio de cuecas
e quando ele colocou o jeans, sua imaginação a levou para um comercial do jeans
mais descolado do mundo! Daquele tipo que tem os modelos seminus com cabelos
molhados e olhos apertados para a câmera...
Na euforia daqueles pensamentos e ainda tentando descobrir uma maneira
de parar o tempo, duas palavras se sobressaíam: Eu mereço! Era isso que sentia,
que merecia ter sido possuída com vontade por aquele deus grego materializado,
que merecia sentir toda a rigidez de cada músculo daquele corpo.
Era irresistível aquele sentimento, era só olhar pra ele que todas as
células do corpo dela tremiam eufóricas, todas pedindo a pele, os poros, o suor
dele. Se ficassem em silêncio poderiam ouvir o chamado ardente de cada
pedacinho dela. E mais uma vez ela o apertou contra si, só pra sentir que não
estava sonhando e para se inebriar um pouquinho mais com o cheiro e o toque
daquela pele.
