Recomeço
E então decidiu que iria
recomeçar. Mudaria de emprego, de casa, de país, de amor e de amigos. Seria uma
nova pessoa, quem sabe até não mudaria de nome? Não assim no sentido prático da
coisa, mas poderia inventar uma alcunha, um pseudônimo. Viver uma vida que não
era a sua, inventar um personagem e brincar um pouco de ser outra pessoa.
Era um sonho antigo, uma vontade
latente que ressurgia toda vez que algo estava mal. Para começar, um belo
pedido de demissão, daqueles com direito a falar umas verdades ao chefe e a
alguns colegas. Ah, que sensação maravilhosa a de não ter medo e falar tudo o
que sente. E antes que houvesse um revide, virou as costas e saiu para não mais
voltar.
Chegando em casa, disse que não o
amava mais, fez as malas e saiu. Resolveu algumas coisas no banco e rumou para
o aeroporto. Com a mala, um passaporte, algum dinheiro no bolso e amigos em
quase todos os países do globo, verificou as próximas partidas, escolheu um
lugar, fez uma rápida reserva em um albergue pela internet e aguardou no saguão
até que chamassem seu voo.
Algumas pessoas ligavam
desesperadas em seu celular, só atendia as muito íntimas, não queria dar
explicações. Também não queria planejar nada durante um ano. Viveria um dia por
vez, apenas isso e, por hoje, isso era suficiente.
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