quinta-feira, 27 de junho de 2013

Reencontro


Rever Miguel rapidamente despertou a vontade de encontrá-lo mais vezes, sentir novamente seu cheiro, sua pele, seus músculos, seu gosto. E agora que isso estava próximo de acontecer, ela se sentia ansiosa ao extremo. Ao descer do carro em frente à casa da amiga, checou mais uma vez o visual através do vidro da janela. Estava linda, pensou, com um short jeans que mostrava suas belas pernas, uma sandália de salto que disfarçava bem a sua pouca altura, uma regata branca com um decote sensual que deixava à mostra boa parte dos seus seios fartos e uma camisa xadrez azul displicentemente jogada por cima da regata. O cabelo liso e repicado nas laterais caia com graça por cima do ombro. Estava pronta, e pela quantidade de carros do lado de fora, deveria ser a última a chegar ao churrasco à beira da piscina. Colocou um sorriso no rosto e entrou.
 

 
Seu olhar percorreu rapidamente todos os amigos, enquanto um grito alegre e alguns assobios comemoravam sua chegada. Propositalmente ela cumprimentou um a um, deixando Miguel por último. De bermuda e sem camisa, ele esperou pacientemente sua vez de abraçá-la, enquanto analisava cada detalhe do corpo dela.
 
Finalmente eles estavam a poucos centímetros um do outro. Os dois sorriram e se abraçaram demoradamente. Ele a beijou na bochecha, ela retribuiu enquanto sentia seu corpo musculoso contra o seu e aquele perfume tão característico de Miguel, que não havia se apagado da sua memória mesmo depois de tanto tempo. Ele afagou-lhe os cabelos e os dois olharam-se nos olhos, esquecendo-se das outras pessoas presentes, que a esta altura entreolhavam-se surpresos com a cena romântica que presenciavam. Que saudade! Cochichou Miguel ao seu ouvido, enquanto sentia o adocicado perfume que ela exalava. E assim eles voltaram ao passado, como se nunca dele tivessem saído.

terça-feira, 25 de junho de 2013



Recomeço

E então decidiu que iria recomeçar. Mudaria de emprego, de casa, de país, de amor e de amigos. Seria uma nova pessoa, quem sabe até não mudaria de nome? Não assim no sentido prático da coisa, mas poderia inventar uma alcunha, um pseudônimo. Viver uma vida que não era a sua, inventar um personagem e brincar um pouco de ser outra pessoa.

Era um sonho antigo, uma vontade latente que ressurgia toda vez que algo estava mal. Para começar, um belo pedido de demissão, daqueles com direito a falar umas verdades ao chefe e a alguns colegas. Ah, que sensação maravilhosa a de não ter medo e falar tudo o que sente. E antes que houvesse um revide, virou as costas e saiu para não mais voltar.

Chegando em casa, disse que não o amava mais, fez as malas e saiu. Resolveu algumas coisas no banco e rumou para o aeroporto. Com a mala, um passaporte, algum dinheiro no bolso e amigos em quase todos os países do globo, verificou as próximas partidas, escolheu um lugar, fez uma rápida reserva em um albergue pela internet e aguardou no saguão até que chamassem seu voo.

Algumas pessoas ligavam desesperadas em seu celular, só atendia as muito íntimas, não queria dar explicações. Também não queria planejar nada durante um ano. Viveria um dia por vez, apenas isso e, por hoje, isso era suficiente.