segunda-feira, 21 de julho de 2014



Vício


O toque forte das mãos dele nas minhas coxas me fez esquecer as brigas e todos os outros homens. Enquanto ele me beijava e deslizava aquelas mãos imensas por todo o meu corpo, eu esquecia até de mim. Que jeito era esse que fazia meu corpo pedir mais e mais e nunca estar completamente saciado, até quando isso iria acontecer?
 

Resistir estava fora de cogitação, então a solução era se entregar e esquecer de todos os problemas que viriam depois, que sempre vinham depois de cada noite em que faziam amor. Amor? Não, aquilo não tinha nada de amor, era um vício louco impossível de frear. Trepar era a expressão que melhor definia o estado de euforia e êxtase que tomava conta de nós dois quando nos encontrávamos e eu sempre pensava que ainda não haviam inventado um verbo para aquilo. Era assim como uma avalanche, sem classificação, sem definição, sem nem saber o porquê sentíamos o que sentíamos. Desejo é pouco, vontade é leve, tesão é controlável, mas aquilo, aquilo era o mais puro e animal dos sentimentos.

E quando acabava, na verdade era só o começo, porque ele sempre vinha em busca de mais e por mais que eu tentasse, nunca conseguia fugir e se por alguns dias eu conseguisse não pensar, sempre vinham as crises de abstinência que eram tão doloridas quanto as de qualquer outra droga, doía o corpo que implorava pelo dele, inebriava a mente com as lembranças. Outros homens, outros países, outras ilusões, nada me fazia esquecer aquela mão na minha coxa, aquela boca nos meus seios, aquele olhar que me comia e me queria mais que tudo, que me queria pra sempre.