Vício
O toque forte das mãos dele nas minhas coxas me fez esquecer
as brigas e todos os outros homens. Enquanto ele me beijava e deslizava aquelas
mãos imensas por todo o meu corpo, eu esquecia até de mim. Que jeito era esse
que fazia meu corpo pedir mais e mais e nunca estar completamente saciado, até
quando isso iria acontecer?
Resistir estava fora de cogitação, então a solução era se
entregar e esquecer de todos os problemas que viriam depois, que sempre vinham
depois de cada noite em que faziam amor. Amor? Não, aquilo não tinha nada de
amor, era um vício louco impossível de frear. Trepar era a expressão que melhor
definia o estado de euforia e êxtase que tomava conta de nós dois quando nos
encontrávamos e eu sempre pensava que ainda não haviam inventado um verbo para
aquilo. Era assim como uma avalanche, sem classificação, sem definição, sem nem
saber o porquê sentíamos o que sentíamos. Desejo é pouco, vontade é leve, tesão
é controlável, mas aquilo, aquilo era o mais puro e animal dos sentimentos.
E quando acabava, na verdade era só o começo, porque ele
sempre vinha em busca de mais e por mais que eu tentasse, nunca conseguia fugir
e se por alguns dias eu conseguisse não pensar, sempre vinham as crises de
abstinência que eram tão doloridas quanto as de qualquer outra droga, doía o
corpo que implorava pelo dele, inebriava a mente com as lembranças. Outros homens,
outros países, outras ilusões, nada me fazia esquecer aquela mão na minha coxa,
aquela boca nos meus seios, aquele olhar que me comia e me queria mais que tudo,
que me queria pra sempre.

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