quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pele

Pele

 

Seria possível congelar aquele momento e guardar em algum lugar concreto a visão daquele corpo de Adonis? A memória não era confiável e ela queria se lembrar daquela cena pela vida toda. Queria poder rever os detalhes, os músculos do braço, o abdome definido, queria fazer uma estátua instantânea daquele torso.


Por um momento ele lhe pareceu uma escultura de Rodin, mas como vestia cueca, e era moderna demais, ela imaginou que estava diante de um anúncio de cuecas e quando ele colocou o jeans, sua imaginação a levou para um comercial do jeans mais descolado do mundo! Daquele tipo que tem os modelos seminus com cabelos molhados e olhos apertados para a câmera...
Na euforia daqueles pensamentos e ainda tentando descobrir uma maneira de parar o tempo, duas palavras se sobressaíam: Eu mereço! Era isso que sentia, que merecia ter sido possuída com vontade por aquele deus grego materializado, que merecia sentir toda a rigidez de cada músculo daquele corpo.
Era irresistível aquele sentimento, era só olhar pra ele que todas as células do corpo dela tremiam eufóricas, todas pedindo a pele, os poros, o suor dele. Se ficassem em silêncio poderiam ouvir o chamado ardente de cada pedacinho dela. E mais uma vez ela o apertou contra si, só pra sentir que não estava sonhando e para se inebriar um pouquinho mais com o cheiro e o toque daquela pele.

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